Em São Carlos, Alckmin diz que Flávio Bolsonaro apresentou exigências porque ‘não quer abrir sigilo nenhum’

Geraldo Alckmin afirmou em 22 de outubro de 2026 que Flávio Bolsonaro apresentou exigências porque, na avaliação do vice-presidente, não quer abrir seus sigilos. A declaração foi feita durante visita à Santa Casa de São Carlos, no interior de São Paulo.

A discussão começou no debate presidencial da Band em 18 de outubro, quando Luiz Inácio Lula da Silva desafiou Flávio a divulgar dados privados. Em 20 de outubro, Lula formalizou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a divulgação de informações.

O impasse envolve Lula, candidato à reeleição pelo PT, e Flávio Bolsonaro, senador do PL e candidato à Presidência. Em São Carlos, Alckmin defendeu transparência e prestação de contas por parte de quem ocupa cargo público.

abertura dos sigilos de Lula e Flávio

Em 22 de outubro, o senador Camilo Santana apresentou à imprensa um documento que, segundo ele, registra um entendimento entre as campanhas para a abertura dos sigilos. A divulgação ainda dependia de autorização do TSE, enquanto as condições propostas pelos candidatos e as críticas ao debate mantinham o tema em evidência.

Declarações de Alckmin em São Carlos

Ao defender a transparência, Geraldo Alckmin afirmou que quem ocupa a Presidência deve prestar contas continuamente à sociedade. O vice-presidente resumiu sua posição dizendo que “vida pública deve ser pública”.

Alckmin também sustentou que a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas permitiria à população acompanhar a vida pública dos candidatos. Na avaliação dele, as exigências apresentadas por Flávio não correspondiam à disposição de abrir esses dados.

O vice-presidente relacionou a abertura dos sigilos à prestação de contas de quem exerce cargo público. Sua declaração foi feita durante uma visita à Santa Casa de São Carlos, no contexto da disputa entre os candidatos à Presidência.

Como começou a disputa pela abertura dos sigilos

Na manifestação encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula autorizou a divulgação de dados bancários, fiscais e eletrônicos referentes aos últimos oito anos. A autorização foi condicionada à liberação de informações equivalentes por Flávio Bolsonaro.

O documento de Lula também abrangia familiares, entre eles a esposa, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e os filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, conhecido como Lulinha, Sandro Luís e Luís Claudio. A proposta previa que os dados fossem divulgados publicamente.



A petição indicava como possibilidades o sistema Divulga CandContas do TSE ou outro espaço de acesso público. Assim, a autorização apresentada pelo petista vinculava a divulgação de seus dados e dos parentes à adesão do adversário.

Condições apresentadas pelas campanhas de Lula e Flávio

Flávio Bolsonaro propôs divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas de um período de 20 anos, além de dados de familiares e empresas ligadas a ele. Entre os nomes da família citados na proposta de Lula estavam Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro, além de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador.

As condições apresentadas por Flávio incluíam autorizações de assessores próximos de Lula, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, ex-chefe de gabinete. Também abrangiam empresas ligadas a familiares do presidente, sociedades de Lulinha, negócios recentes no exterior, empresas de outros filhos, o Instituto Lula e a L.I.L.S. Palestras, desde 2003.

Outras exigências mencionavam registros de visitantes no Palácio do Planalto e informações sobre uma reunião de Lula com Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024. A proposta também cobrava dados sobre a lobista Roberta Luchsinger, registros de entradas em palácios presidenciais e voos da Força Aérea Brasileira, além da quebra de sigilo de Frei Chico, irmão de Lula.

O senador ainda pediu a divulgação de gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023 e de agendas institucionais da primeira-dama, Janja, desde o primeiro ano do mandato. A campanha de Lula afirmou que não se opunha às condições e informou que apresentaria resposta ao TSE; a defesa de Flávio havia classificado a proposta inicial do petista como “promessa vazia” e “factóide”.

Críticas ao debate e outros questionamentos eleitorais

Em São Carlos, Alckmin criticou a participação de Flávio no debate da Band, afirmando que o senador não respondeu às questões levantadas e foi desrespeitoso. Para o vice-presidente, debates são momentos mais espontâneos da campanha e devem ajudar a esclarecer dúvidas e permitir a prestação de contas aos eleitores.

A campanha de Lula também manifestou preocupação com a atuação da Meta durante o período eleitoral, mesmo após uma reunião da empresa com o TSE em 20 de outubro. Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), disse que a equipe jurídica acionaria a Justiça Eleitoral contra a companhia.

O material informa ainda que Flávio era alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um apurava suspeita de lavagem de dinheiro e a relação do senador com o advogado Willer Tomaz; o outro investigava negociações para financiar Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com recursos associados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.



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